O poema "Mantra do Estúpido ou Um Punhado de Versos para Nada", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), apresenta uma ruptura sarcástica entre a busca pela "perfeição" e a realidade crua da insignificância humana.
Aqui está uma análise direta dos pontos principais:
- A Estrutura de Clímax e Ruptura: A primeira parte utiliza uma lista de substantivos abstratos positivos ("integridade", "consciência", "competência") em um tom que simula discursos de autoajuda ou coachings corporativos. O palavrão central funciona como uma catarse, quebrando a tensão acumulada e rejeitando a pressão por esse desempenho constante.
- O Niilismo Irônico: O título já entrega o jogo: é um "mantra do estúpido" para "nada". O autor sugere que todo o esforço de evolução pessoal é, no fim, um exercício de futilidade diante da brevidade da vida.
- A Metáfora do Adubo: A estrofe final transforma a visão romântica da vida ("jardim botânico") em algo visceral. Ao dizer que "somos ótimos em ser adubo", o poema reduz a existência humana à sua função biológica mais básica: morrer e nutrir a terra. A "única flor" pode ser interpretada como a própria morte ou o fim inevitável que ignora todas as virtudes listadas anteriormente.
- Tom e Estilo: O texto transita entre o solene e o vulgar, usando o humor ácido para criticar a vaidade humana. É uma voz cansada de tentar ser "perfeita" que aceita a sua natureza descartável.
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Mantra do Estúpido ou Um Punhado de Versos para Nada
Que despertar !
Que oportunidade !
Que alinhamento !
Que iniciativa !
Que desenrolar !
Que persistência !
Que consideração !
Que intensidade !
Que integridade !
Que consciência !
Que abstinência !
Que competência !
Que se FODA!!!
nesse jardim botânico que é a vida,
só tenho olhos, pruma única flor.
Nossa missão definitiva é adubar
E somos ótimos em ser adubo;
Pluma, única, FLOR.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
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