segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O poema "Mantra do Estúpido ou Um Punhado de Versos para Nada", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), apresenta uma ruptura sarcástica entre a busca pela "perfeição" e a realidade crua da insignificância humana


O poema "Mantra do Estúpido ou Um Punhado de Versos para Nada", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), apresenta uma ruptura sarcástica entre a busca pela "perfeição" e a realidade crua da insignificância humana. 

Aqui está uma análise direta dos pontos principais:
  • A Estrutura de Clímax e Ruptura: A primeira parte utiliza uma lista de substantivos abstratos positivos ("integridade", "consciência", "competência") em um tom que simula discursos de autoajuda ou coachings corporativos. O palavrão central funciona como uma catarse, quebrando a tensão acumulada e rejeitando a pressão por esse desempenho constante.
  • O Niilismo Irônico: O título já entrega o jogo: é um "mantra do estúpido" para "nada". O autor sugere que todo o esforço de evolução pessoal é, no fim, um exercício de futilidade diante da brevidade da vida.
  • A Metáfora do Adubo: A estrofe final transforma a visão romântica da vida ("jardim botânico") em algo visceral. Ao dizer que "somos ótimos em ser adubo", o poema reduz a existência humana à sua função biológica mais básica: morrer e nutrir a terra. A "única flor" pode ser interpretada como a própria morte ou o fim inevitável que ignora todas as virtudes listadas anteriormente.
  • Tom e Estilo: O texto transita entre o solene e o vulgar, usando o humor ácido para criticar a vaidade humana. É uma voz cansada de tentar ser "perfeita" que aceita a sua natureza descartável.
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Mantra do Estúpido ou Um Punhado de Versos para Nada

Que despertar !
Que oportunidade !
Que alinhamento !
Que iniciativa !
Que desenrolar !
Que persistência !
Que consideração !
Que intensidade !
Que integridade !
Que consciência !
Que abstinência !
Que competência !

Que se FODA!!!

nesse jardim botânico que é a vida,
só tenho olhos, pruma única flor.

Nossa missão definitiva é adubar
E somos ótimos em ser adubo;
Pluma, única, FLOR.

(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)




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