sábado, 21 de fevereiro de 2026

Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto - Michel F.M.


Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto

O fim,
Chega para todos,
Em sua totalidade.

O mundo é deveras medíocre,
Se não o fizermos extraordinário.

Em cada contorno
Um universo peculiar,
A cada traçado,
A obra-prima
Se revelando.

Eu não ousaria dizer
O que você deve fazer
Com a sua vida,

Porque eu não admitiria
Que você dissesse,
O que eu devo fazer
Com a minha.

A vida vai ter
Que me arrancar daqui,
Eu não vou sair
Por conta própria.

Eles condenaram o mundo,
Enquanto dormíamos
Tranquilamente,

Sonhando com um futuro,
Em nossa ingenuidade
Permanente,

Esquecemos,
Que para fazer planos
É necessário um presente.

Quando digo eles,
Estou dizendo
Nós.

Constatando
A estupidez
Estampada na carne,

Só há uma forma
De viver neste mundo,
E é discordando dele.

Pois,
O destino do poder é a
ruína.

Às vezes
Queremos atribuir,
Um sentido grandioso
E extraordinário,
A momentos
Específicos da vida.

Mas com o tempo,
Percebemos,
Que só os instantes
Mais singelos,
São sublimes.

E que a
simplicidade
É o que há,
De mais sofisticado
No UNIVERSO.
Assim sendo,

Tudo
Chega ao fim,
Até mesmo
A finalidade.

E a Poesia começa,
Quando o Poeta
termina.

(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

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